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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mudança – Parte 3

A empresa de mudança prometeu a entrega entre 8 e 17 dias corridos, de todas as empresas que fiz orçamento, esta era a única que entregava antes do Natal e com o menor prazo. Quatro dias depois, entrei em contato com a empresa para perguntar quantos quilos tinha dado e onde o caminhão estava. Fiquei surpresa quando o cara me disse que o peso era menor do que o estimado, o que significa que a conta ficaria mais barata e que o caminhão estava em Edmonton. Sério, pedi que ele repetisse, achei que tivesse entendido errado! 

O cara disse que em mais dois ou três dias o caminhão chegaria em Vancouver e que aqui poderia demorar um pouco pq teriam que descarregar a mudança de outros clientes e ele não sabia dizer em que “lugar” da fila nós estávamos.

Na quinta-feira escrevi um e-mail para ele pedindo para atualizar nosso telefone de Vancouver e para checar onde o caminhão estava, eis que ele respondeu avisando que nossa mudança chegaria em casa no sábado a tarde.

Fiquei super contente com a notícia e com a rapidez, nem se viéssemos dirigindo o caminhãozinho da U-Haul conseguiríamos tal proeza.

Eles chegaram com uma hora de atraso, mas tudo bem. Aquele mega caminhão parou aqui na porta e deixou um monte de gente de queixo caído... hahahaha! Ele é muito monstruoso, só quem viu entende, certo Ana Luiza? Quando ele estacionou, uma vizinha perguntou para o Valter se este caminhão era a nossa mudança, quando ele respondeu que sim, ela fez cara de espanto e disse: “Fiz a minha mudança há 1 hora atrás, mas meu caminhão era beeeem menor.” Imagino que os vizinhos ficaram se perguntando que apartamento comportaria tanta mobília assim... hahahaha.

Enquanto o Valter checava os itens que saia do caminhão, eu vistoriava no apartamento tudo o que tinha chegado. Desta vez veio o motorista e um outro cara, ambos muito cuidadosos. Eles iam tirando os tecidos dos móveis e eu verificava se estava tudo ok. Sim, tudo veio impecável, assim como saiu de dentro do nosso apartamento em Toronto.

O mais engraçado é que chegou tudo muito gelado, como se estivessem saído do freezer. Tudo suava, as cadeiras de acrílico ficaram embaçadas por uma meia hora. Fiquei até com receio de colocar as louças dentro da lava louças e trincar alguma coisa, mas nada quebrou.

Para não dizer que tudo veio impecável, quando optei por empacotar alguns itens escolhi caixas plásticas com tampa, aquelas vendidas no Ikea. Primeiro por que acho um desperdício comprar caixas de papelão e depois jogá-las fora, pelo menos, estas caixas tem uma vida útil longa e pode ser usada para outros fins. Coloquei etiquetas de frágil nos artigos que exigiam maior cuidado e em outros não sinalizei. Duas tampas vieram rachadas, só isso. O motorista comentou que estas caixas são ótimas para transportar, mas que em baixas temperaturas ela pode rachar.

Agora que testei e aprovei, indico a empresa de mudanças Tender Touch. Quando iniciei as pesquisas, procurei reviews e vi que não tinha nenhum comentário ruim a respeito dela, mas muitos diziam que no final, acabaram pagando mais do que o estimado, mas que mesmo assim compensava.

Uma coisa importante é que os itens que não forem embalados por eles, eles não se responsabilizam por qualquer dano, por isso deixamos o espelho, TV, mesa de vidro, sofá e colchão para que eles embalassem com a caixa deles. Pensei que fossem caixas de verdade, própria para cada coisa. Que nada, é uma caixa desmontada que o cara enrola com uns tecidos e fita adesiva. Só a da TV custou a bagatela de 90 dólares. Um absurdo! Da mesa, mais 50 e do espelho, outros 50. Como diz a minha mãe, o molho saindo mais caro que o peixe. Enfim, faz parte! Para vários outros eletroportáteis e eletrônicos tínhamos as caixas originais, então nos livramos de pagar mais estes extras. De hoje em diante, caixa nenhuma vai para o lixo! Para pagar o valor que realmente vale a pena, sugiro consultar a U-Haul que eles tem caixas de TV, por exemplo, para a marca e o modelo da sua TV pelos mesmos 90 dólares, porém, depois de usar vc pode guardar.

No final, valeu a pena! Foi o menor orçamento, melhor prazo de entrega e sem surpresas na fatura. Agora é só brincar de quebra cabeças para fazer caber tudo o que trouxemos e fazer algumas adaptações.

Bjos e abraços
Rafa

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Mudança - Parte 2

O Valter chegou de Vancouver na quarta-feira, tarde da noite. Na quinta-feira era o último dia antes da mudança. Tinham trocentas caixas abertas na sala, esperando que decidíssemos o que mais incluir para poder fechá-las. Terminamos tudo, fechamos as caixas e fomos dormir. As 8h50 escutamos o barulho do caminho estacionando em frente ao prédio. Nada mais nada menos que 78ft de comprimento por 36ft de altura. Um MONSTRO!


Quando os caras chegaram no apartamento, eram três, disseram: “Que maravilha, vocês facilitaram muito o nosso trabalho.” Pois é, deixamos tudo separados, pronto para ser carregado para o caminhão. E eles perguntaram: "Nada de líquido, certo?" Respondemos que não e eles explicaram que os líquidos congelam durante o percurso, principalmente quando passam por Manitoba e Alberta, por esta razão eles recomendam que não tenha nenhum tipo de líquido.

Até ai, estava tudo perfeito. O motorista do caminhão era o responsável pelo inventário, ele anotava tudo e etiquetava. O outro levava as caixas para o caminhão e o terceiro protegia os móveis com uma manta.

O cara que ficou comigo no apartamento (o da manta) só contava histórias bizarras. Socorro, como tem gente que gosta de tragédia. A primeira foi o caso de uma mulher muito rica que solicitou a mudança e qdo viu o caminhão, desistiu. Disse que as coisas dela eram muito caras para ir lá dentro, num caminhão que gotejava e não tinha proteção. E ele completou: “Acho bom vcs descerem lá para ver onde vai a mobília de vcs.” O Valter foi lá conferir, óbvio.

Não satisfeito ele começou a falar que uma vez eles estavam fazendo uma mudança e entre os móveis tinha uma TV de 3 mil dólares. Eles a deixaram na calçada para que um dos funcionários a colocasse no caminhão, eis que passou um fulano, pegou a TV e saiu correndo. Qdo ele percebeu que estava sendo seguido jogou a TV e por sorte eles conseguiram pegar sem que estragasse. Enfim, ele já estava estragando a minha manhã com este papo, resolvi ir ao supermercado e largar ele lá. Quando voltei ele mandou mais uma. Certa vez o caminhão passou por uma ponte em Toronto, só que ela era muito baixa. Destruiu o caminhão, a ponte e todos os móveis. Tiveram que acionar o seguro e pagar para todos os clientes.

Depois de tanto falatório, quando ele estava quase terminando perguntou sobre o espelho e eu disse que eu tinha feito o pedido de caixa para o espelho, caixa para a TV, capas para os colchões e um plástico especial para o sofá. Eis que ele diz: “Ok, as caixas estão lá embaixo, mas vcs terão que embrulhar, pq isso não faz parte do meu trabalho.” Oi?? Sim, e completou: “A empresa vai cobrar de vcs uns 200 dólares por isso, posso fazer tudo por $40, mas vcs não falam a nada para o motorista. Pode ser?” O Valter quase pulou no pescoço dele. Tá maluco? No nosso orçamento incluía tudo, como ele quer um extra?

O cara desceu para levar alguns móveis e subiu com o outro cara. Esse fazia o estilo rapper cheio de tatuagens, falava em gírias e era qualquer coisa, menos simpático. Ele começou a embrulhar a TV e o malandrão a enrolar o sofá. Eu e o Valter nos entreolhamos e perguntamos para o cara: “Vc vai nos cobrar por isso?” O malandro desconversou e o rapper disse: “Não, isso é nosso trabalho” o malandrão retrucou alguma coisa e rapper rebateu gritando que isso era o trabalho deles e que não nos cobrariam extras. Ainda bem que a mudança estava no fim.

Eles terminaram tudo na hora do almoço, foi um alívio ver o apartamento vazio e ao mesmo tempo, bateu certo frio na barriga.

Agora vamos esperar para ver se cumprirão o prazo de entrega, peso final e as tais taxas extras, que sempre aparecem no final.

Bjos e abraços
Rafa

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mudança


Este é um assunto complicado e cansativo. O Valter entrou em contato com uma empresa que faz todo o trabalho de empacotar, despachar, entregar e desempacotar. Ótimo, problema resolvido. Porém, este era o nosso único orçamento, como saber se o preço estava bom ou ruim?

Decidi fazer umas cotações. Entrei em um site, que não me recordo o nome, mas vc coloca os dados e trocentas empresas te encaminham orçamentos. Vi orçamentos de todos os valores, desde o mais barato ao mais caro.

E agora, como escolher? Eu não fazia a menor idéia, primeiro pq não sei qto pesa a minha mudança e este é o pontapé inicial. Fiz vários contatos e um deles se propôs a vir aqui em casa para ver o que temos para fazer um orçamento mais preciso.

Com a idéia de peso, fiz novos orçamentos e novas pesquisas de reputação dos fornecedores na internet. Um ponto que estava me deixando de cabelo em pé é o prazo de entrega. De acordo com as empresas, até o natal, nada de cama, sofá, mesa... como assim? Vou passar o natal no colchão inflável?

Encontrei uma empresa com bom custo benefício e super recomendada. Eles prometem entrega em no máximo 17 dias, o que significa que até o dia 20 nossos móveis serão entregues.

Ufa! Isso me deixou super feliz, até que conversei com a mulher no telefone e ela me disse que para mudanças de longa distância não é permitido nenhum tipo de alimentos e líquidos. Como assim? E tudo o que a minha mãe mandou do Brasil? Expliquei a situação para a mulher, que eram alimentos vindos do Brasil e ela disse que se nãofor peresível devo plastificar tudo. Ok, e os líquidos? E os meus shampoos, perfumes, cremes, maquiagens, esmaltes, bebidas... isso tudo bem, não é? NÃO, ela respondeu. Nenhum tipo de líquido.

Minha vontade era de chorar, eu olhava para todos os meus cremes, shampoos, perfumes e esmaltes e queria morrer. Decidi. Não, não vou me desfazer de nenhum deles. Nada, nadinha! Podem me chamar de materialista, mas são meus. Cada um eu trouxe de um canto, escolhi a dedo, não vou largá-los para trás. Vou levar tudo na minha mala, não sei como, mas vou levar. Eu deixo as roupas, passo 20 dias usando as mesmas, mas não vou deixar meus mimos para trás.

Esse papo de mudança, pra ser sincera, acho que está apenas começando. Já chorei uns bons litros de nervoso com tanta mudança de regra no meio do caminho. Meu amado marido, cada vez que me ligava dizia: "Beba bastante água, Linda, vc vai se desidratar!!!" Engraçadinho. Mulher de TPM deveria ser proibida de fazer mudança.

Quando a novela acabar passo todas as recomendações para os que um dia precisarem deste serviço.

Bjos e abraços
Rafa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A tal novidade

No final de semana que a Van chegou e a Rê foi embora, o Valter foi para Vancouver a convite de uma empresa que estava interessada em contratá-lo.

Antes de fazer a primeira entrevista, por telefone, ele me perguntou: Rafa o que vc acha da possibilidade de morar em Vancouver? Respondi que não temos raízes em Toronto e que tanto faz onde vamos morar.

Ele fez duas entrevistas por telefone e depois veio o convite para a entrevista pessoal. Como a difrença de horário entre Toronto e Vancouver é de 4h para não ficar em casa roendo as unhas, paredes e pé da cadeira, de tamanha ansiedade, resolvi desencanar e liguei para o Brasil. Passei horas dando risada com a minha afilhada querida. O tempo passou rapidinho e logo veio a ligação do Valter.

Resumindo muuuuuito a história. O Valter recebeu uma proposta super legal para trabalhar em Vancouver. EBAAAA!!! Com data de início para a semana seguinte. Como??? Hein??? Oi???


É, foi assim (ou melhor, está sendo), corrido! Aproveitamos tudo o que deu para aproveitar durante a semana que a Van esteve aqui. O Valter fez o exame de direção e passou, sem estresse algum. Alugamos carro, passeamos, nos divertimos, nos perdemos... aproveitamos!

Domingo de madrugada ele partiu para Vancouver e a Van voltou para o Brasil a noite. Ao chegar em casa me assustei com tanto silêncio, sem malas espalhadas pela casa, colchão na sala de jantar, nenhum calçado atrapalhando a passagem e copos de sobra no armário.

Quem vê, pensa que tive momentos de paz e calmaria. Que nada! É preciso devolver o apartamento de Toronto, colocar anúncio na internet, pedir ajuda dos amigos, alugar um apatamento em Vancouver, contratar uma empresa de mudanças, fazer pacotes, orçamentos e mais orçamentos, comprar passagem aérea, fazer inventário dos móveis, preencher formulários, falar com diversos fornecedores e não saber em quem confiar. Simplesmente um milhão de coisas para fazer e outro milhão de decisões para tomar, sem contar que estamos cada um em um canto.

Estamos sobrevivendo e, cada dia que passa, mais e mais acredito que Deus está ao nosso lado. Como diz o Valter, somos um time e assim vamos seguindo. Cada um faz uma parte e no final juntamos tudo.

Não gostaria de citar nomes, para evitar esquecer de alguém, mas estou muito feliz com toda a ajuda e apoio que estamos recebendo. Aos amigos que entram no MSN para desejar boa sorte e dizer que rezam por nós, aos que mandam e-mail, aos que comentam no Facebook, aquela pessoa querida que o Valter sempre me manda consultar... que está sempre online para me ajudar a encontrar soluções, lugares ou pessoas. Ou então, aquela que doa três horas do seu tempo batendo papo, tomando café e dividindo um bolo e além de tudo levanta cedo e vem aqui aqui em casa me "proteger" de esquisitos. Aos amigos blogueiros que espalharam o anúncio do aluguel do apartamento para todos os contatos e colocaram em seus blogs. Aos novos amigos de Vancouver, que nem nos conhecem e já nos receberam de braços abertos.

É nesta hora que descobrimos pessoas especiais e estou feliz, bem feliz por isso!

Enquanto tem aqueles que só reclamam da vida, nós só temos que agradecer, principalmente vcs que passam por aqui e de uma forma ou de outra estão junto com a gente.

Aproveito o momento de agradecimento  para fazer um mais que especial a mãe da Pauline, a Marli, uma pessoa mega querida que conheci aqui em Toronto. Aliás, a família que apelidamos de "Tropa" são pessoas maravilhosas. Super alto astral! A Marli me presenteou com uma Bíblia em inglês. Fiquei muito feliz, de coração. Foi um dos presentes mais importantes que eu poderia ganhar. Muito obrigada!

Vamos ver se consigo mantê-los mais informados.

Bjos e abraços
Rafa