Semana passada um assunto que virou polêmica no Brasil, repercutiu no mundo e nas redes sociais foi o comentário do Sylvester Stallone sobre o nosso País. Ele disse: "Lá vc pode atirar nas pessoas, explodir coisas e eles te dizem 'obrigado e aqui está um macaco para vc levar para casa' não poderíamos ter feito o que fizemos em outro lugar. Explodimos muita terra. Parecia assim: 'todo mundo traz o cachorro quente. Vamos fazer um churrasco. Vamos explodir essa cidade." Comentou também sobre o BOPE, "os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar."
Os brasileiros se revoltam com comentários deste tipo, mas será que ninguém enxerga que existe um problema? Será que ninguém percebeu a banalização da violência no País? Será que o Stallone não tem razão?
O que será que a Larissa Riquelme tem a falar sobre o Brasil depois de ter sido assaltada no Rio de Janeiro?
Sábado, o Valter estava lendo o blog do jornalista Fábio Seixas, da Folha de São Paulo. Assim como muito brasileiros, me senti no lugar dele, lugar esse que já estive no passado e ainda hoje sinto que "o meio do meu peito ainda dói do cano prateado. Bem ali, onde fica o coração". Vale a pena a leitura.
O meio do peito ainda dói do cano prateado. Bem ali, onde fica o coração. O cara sabe das coisas.
Meio Barra Funda, meio Perdizes. Eu havia acabado de parar o carro, ele veio, revólver já na mão, andando com ginga, totalmente relaxado. Mas tão, tão relaxado que beirava o surreal. Achei que fosse uma brincadeira.
Não era. O cano prateado bateu forte no meio do peito, bem ali, onde fica o coração.
Entreguei a chave do carro, o celular.
"E a carteira?"
"Tá no carro."
"Vou te revistar. Se estiver com você, te mato."
E às 20h de uma sexta-feira, fui revistado por um bandido no meio da rua.
Só havia o molho de chaves.
"Deixa pelo menos isso comigo."
"Não. Vou levar."
Pegou as chaves. Bateu novamento o cano prateado no meu peito, bem ali, onde fica o coração. Foi embora.
Delegacia de Perdizes, sem sistema. Delegacia de Santa Cecília, dois flagrantes sei lá do quê.
"Se você ficar aqui, só vai ser atendido de madrugada."
B.O. registrado longe dali, na terceira tentativa.
E lembrei do Illy, que conheci no Kosovo duas semanas atrás. Ele me indicava um restaurante, a duas quadras do hotel, e ficou espantado quando perguntei se era perigoso andar pelas ruas de Pristina à noite.
"Claro que não."
É verdade, eu comprovei. Caminhando até o restaurante, naquele território que é alvo de conflito, cruzei com crianças jogando bola, casais namorando, amigos papeando despreocupadamente...
Aqui em São Paulo, não dá.
Você corre o risco de levar um cano prateado no meio do peito, bem ali, onde fica o coração.
Não, o blog não tem o objetivo de falar mal do Brasil. De jeito nenhum, mas me sinto no direito de expressar minha indignação. Além do que, o pouco que podemos fazer é votar, que seja feito com consciência.
Bjos e abraços
Rafa


